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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Paul Brunton - O Caminho Secreto

Queridos amigos e amigas,
Que bom que você está aqui.
Nesse post, pensei em dividir com vocês, algumas frases de um livro: O Caminho Secreto - Uma técnica de autodescobrimento espiritual para o mundo moderno, de Paul Brunton. É um livro muito interessante. Esse se destina a auxiliar o desenvolvimento do Ser Interno, conhecido como Alma ou Espírito. Sua mensagem convida ao repouso reflexivo todo o nosso agitado mundo moderno.

Forte abraço, Claudia
Paul Brunton, deixou uma carreira jornalística para viver entre os yogis, místicos, e homens santos da Índia, e estudou uma grande variedade de ensinamentos esotéricos Ocidentais e Orientais. Devotando a sua vida à busca espiritual, Brunton se responsabilizou pela tarefa de comunicar as suas experiências com os demais, sendo a primeira pessoa a escrever a respeito do Oriente com uma perspectiva ocidental. Seus trabalhos são na maioria influências do misticismo ocidental pelo oriental. Tentando expressar seus pensamentos utilizando termos das pessoas leigas, Brunton foi capaz de apresentar o que ele aprendeu do Oriente e das tradições antigas com uma linguagem atual. Os escritos de Paul Brunton enfatizam sua visão de que a meditação e a busca interior não são exclusivamente para monges e ermitões, mas também para pessoas com vida normal, vivendo ativamente no mundo Ocidental.

Frases:

"O mundo exterior não tem muita simpatia por aqueles que se isolam na torre de marfim e mantêm sua alma livre para contemplar visões às quais não podem ter acesso. E o mundo tem razão. Nós, videntes e místicos, temos de extrair a última gota da fonte cristalina da visão inspirada, porém aqui começa o nosso dever, severo e estrito, de oferecer esta bebida pouco usada ao primeiro viajante sedento que queira aceitá-la. Não é para nós somente, mas para todos por igual que Netuno lança o seu trindente mágico nos recônditos da alma para nos mostrar as imagens fascinantes ali existentes."

"Se uma época insensata como a nossa nos considera um grupo de meros sonhadores, pelo menos temos o consolo de saber que sonhamos, enquanto os que nos escarnecem dormem ainda o sono pesado de inconsciência espiritual."


“Sim, a humanidade parece padecer de cegueira e surdez espirituais. Incapaz de ler as palavras místicas escritas na parede deste mundo, fechando os ouvidos aos poucos que podem enxergá-las, atravessamos nossos dias apalpando e tropeçando. As advertências e sábios conselhos são rejeitados num gesto de gabolice pelos incrédulos, feridos no seu amor-próprio como os judeus quando se recusaram a aceitar as Verdades incisivas proferidas pela boca do Cristo. O resultado é que os homens correm desesperadamente para cá e para acolá sem saber aonde vão no meio do caos desvairado do mundo hodierno. Levantomo-nos do berço natal e agarramo-nos apaixonadamente à vida ara logo após desaparecer na fria indiferença do túmulo.”

"Devemos, porém, antes de tudo, nos libertar da ilusão de que nossa personalidade tem proporção exata e idéia clara quanto à consciência. Primeiramente, temos de criar em nós uma humildade sincera se queremos nos aproximar da Verdade que nos liberta."

"O intelecto capaz de expor um número de problemas que dizem respeito ao Homem, a destino e à Morte está incapacitado para resolvê-los. Quando a Ciência tiver conquistado o Universo donde terá desaparecido todo vestígio de mistério, ainda terá que enfrentar o maior dos enigmas: HOMEM, CONHECE-TE A TI MESMO!"

" O homem - imagem da dúvida e desespero - marcha titubeando pela solidão glacial do mundo e ri cinicamente ante o nome de Deus. O desespero porém é o filho infausto da ignorância!"

"Nas profundezas mais íntimas do nosso ser é que vivemos a vida real, e não na máscara surperficial da personalidade que mostramos. É mais importante o ser vivente do que sua casa de pedra e cal."

"O homem, tal como é, tal como sempre foi a será por toda a eternidade, é um Ser espiritual. A vida em seu corpo carnal não desmente essa afirmação. Os sentidos que pertencem ao mundo sensorial físico mantêm o homem cativo sob sugestão hipnótica e, como são muito reais, à sua maneira nos fazem confundi-los com o seu verdadeiro Ser, que ele realmente é. O céu nos rodeia não apenas nos inocentes dias de infância, mas em cada instante da nossa vida, ainda que não o notemos. Alguns estão tão perto dessa verdade, que inconscientemente esperam pelo momento milagroso em que  lhes será plenamente revelada: basta falar-lhes com o tom apropriado, logo a esperança ilumina suas almas. Essa esperança é a Voz silenciosa do Super-eu."

"A vida nos ensina silenciosamente, enquanto os homens instruem em voz alta."

Para finalizar, transcreverei uma citação de Paul Brunton, de Tales de Mileto, um dos Sete Sábios da Grécia Antiga:
"Um sofista, aproximando-se um dia de um sábio da Grécia antiga, queria confundi-lo com perguntas embaraçosas; mas de Mileto mostrou-se à altura da prova e respondeu a todas as perguntas sem vacilar, com a maior exatidão. Eis as perguntas:
   1.   Qual é a coisa mais antiga?
         Deus - porque sempre existiu.
   2.   Qual é a coisa mais bela?
         O Universo - porque é a obra de Deus.
   3.   Qual das coisas é a maior?
         O Espaço - porque contém tudo o que foi criado.
   4.   Qual das coisas é a mais constante?
         A Esperança - porque perdura no homem mesmo depois de ter ele perdido tudo.
   5.   Qual é a melhor das coisas?
         A Virtude - porque sem ela nada pode ser bom.
   6.   Qual é a mais rápida das coisas?
         O Pensamento - porque em menos de segundo percorre o Universo.
   7.   Qual é a mais forte de todas as coisas?
         A Necessidade - porque faz o homem enfrentar todos os perigos da vida.
   8.   Qual das coisas é a mais fácil de fazer?
         Dar conselhos.
Porém, quando chegou à nona pergunta, o sábio deu a resposta paradoxal, cujo sentido profundo - tenho certeza - jamais foi compreendido pelo interlocutor imbuído do saber intelectual, bem como para a maioria das pessoas terá apenas um sentido superficial.
   A pergunta foi esta:
   Qual das coisas é a mais dificíl de realizar?
   E o sábio milésio lhe respondeu:
   "Conhecer-se a si mesmo."
Esta foi a mensagem dos sábios dirigida aos homens ignorantes pelos antigos sábios; esta é também a mensagem da nossa época."




sábado, 6 de novembro de 2010

Vamos Filosofar: KANT


Immanuel Kant, filósofo alemão, em geral considerado o pensador mais influente dos tempos modernos, nasceu em Königsberg, atual Kaliningrado, em 22 de abril de 1724. Não casou nem teve filhos, falecendo em 1804.

"Só a crítica pode cortar pela raiz o materialismo, o fatalismo, o ateísmo, a incredulidade dos espíritos fortes, o fanatismo e a superstição, que se podem tornar nocivos a todos e, por último, também o idealismo e o cepticismo, que são sobretudo perigosos para as escolas e dificilmente se propagam no público." (Kant, Crítica da razão pura, B XXXIV)

Teoria do Conhecimento
Em sua Teoria do Conhecimento, Kant classificou o tangível e o abstrato em dois grupos: 1 - aquilo que podemos conhecer; 2 - aquilo que são por si desconhecidas. As coisas que podemos conhecer são aquelas que as pessoas podem presenciar, tocar, ver e experimentar, como uma mesa ou um cachorro. Por outro lado, existem coisas que são desconhecidas por si próprias, como Deus e o conceito de liberdade, cujas existências, segundo Kant, se baseiam em pressuposições necessárias.
Kant afirmava que a área do conhecimento é limitada ao mundo das experiências e que é inevitável que uma pessoa fracasse ao tentar conhecer coisas que são desconhecidas. Kant apresenta essa linha de pensamento em seu livro Crítica da Razão Pura, estabelecendo que os três grandes problemas da Metafísica são Deus, a liberdade e a imortalidade, pois não são solucionáveis por meio do pensamento especulativo. De acordo com Kant, a existência de Deus e os conceitos de liberdade e imortalidade não podem ser afirmados ou negados no campo teórico, nem podem ser cientificamente demonstrados. Porém, Kant expressou a necessidade da crença em Deus e nos conceitos de liberdade e imortalidade em sua filosofia moral. De acordo com Kant, a existência da moralidade depende exclusivamente da existência de Deus, da liberdade e imortalidade. 

FONTE: http://www.10emtudo.com.br/imprimir_artigo.asp?CodigoArtigo=67
               http://pt.wikipedia.org/wiki/Immanuel_Kant



Vamos Filosofar = Vamos Pensar

A tarefa da filosofia
A filosofia é um modo de pensar, é uma postura diante do mundo. Ela não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado, fechado em si mesmo. Ela é, antes de mais nada, um modo de se colocar diante da realidade, procurando refletir sobre os acontecimentos a partir de certas posições teóricas. Essa reflexão permite ir além da pura aparência dos fenômenos, em busca de suas raízes e de sua contextualização em um horizonte amplo, que abrange os valores sociais, históricos, econômicos, políticos, éticos e estéticos. Por essa razão, ela pode se voltar para qualquer objeto. Pode pensar sobre a ciência, seus valores, seus métodos, seus mitos; pode pensar a respeito da religião; pode pensar sobre a arte; pode pensar acerca do próprio ser humano em sua vida cotidiana. Uma história em quadrinhos ou uma canção popular também podem ser objeto da reflexão filosófica.
A filosofia é um jogo irreverente que parte do que existe, critica, coloca em dúvida, faz perguntas importunas, abre a porta das possibilidades, faz-nos entrever outros mundos e outros modos de compreender a vida.

Texto extraído do livro Temas de Filosofia, de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, editora Moderna, 2005

Vamos Filosofar: PLATÃO

Platão, filósofo grego, nasceu em Atenas e se destacou entre os pensadores mais influentes da civilização ocidental. Platão foi um brilhante escritor e filósofo. Seus diálogos abordaram praticamente todos os tópicos que vieram a ser discutidos por filósofos que se seguiram a ele. Suas obras fazem parte da mais reconhecida literatura mundial.

SUA VIDA
Platão nasceu em uma família aristocrata de Atenas.  Desde jovem, Platão tinha ambições políticas, mas logo se decepcionou com a liderança política de Atenas. Platão se tornou discípulo de Sócrates, seguindo sua filosofia e aderindo ao método por ele utilizado: a busca da verdade através de perguntas, respostas e mais perguntas. 
Seu professor, Sócrates, não escreveu seus ensinamentos. Platão, como discípulo de Sócrates, escreveu muito dos ensinamentos que lemos dele.  Porém, nos diálogos, Platão faz do personagem Sócrates porta-voz de seus próprios pensamentos, de modo que é difícil estabelecer quais são os ideais de Platão e quais são os de Sócrates.
Em 399 a .C. Platão testemunhou o julgamento e a condenação de Sócrates, tendo sido acusado de corromper a mente dos jovens e não acreditar nos deuses. Após a execução de Sócrates, revoltado com a democracia Ateniense e talvez preocupado com sua própria segurança, Platão deixou Atenas e foi para a Sicília e para o Egito, onde passou aproximadamente dez anos viajando.
Em 387, com seu regresso a Atenas, Platão fundou uma Academia, uma instituição tida como a primeira universidade da Europa.  A Academia oferecia um currículo de matérias tais como astronomia, biologia, ciências políticas e filosofia. Aristóteles foi o aluno mais famoso da Academia.  A Academia de Platão se manteve em funcionamento por mais de novecentos anos.
Em 367 Platão retornou a Sicília tentando influenciar a política local com seus ideais, mas logo voltou a Academia em Atenas onde passou o resto de sua vida, com exceção de algumas viagens, onde ensinava e escrevia. Platão faleceu em 347 a .C., com oitenta anos de idade.

SUAS OBRAS
Fases dos diálogos
Os ensinamentos de Platão foram escritos em forma de dialogo, de uma conversa ou um debate entre várias pessoas.
Seus diálogos são divididos em três fases. A primeira fase é representada com Platão tentando comunicar a filosofia de Sócrates. Muitos dos diálogos tem a mesma forma. Sócrates encontra alguém que diz que sabe muito. Sócrates se diz ignorante a procura de conhecimento e faz várias perguntas, mostrando que aquele que se dizia mestre no assunto realmente não sabe nada.
Os diálogos da segunda e terceira fase relatam as próprias idéias de Platão, por mais que ele continue a utilizar Sócrates como personagem em seus diálogos.
Teoria das Formas
A parte central da filosofia de Platão é a teoria das formas, ou o mundo das idéias.
Idéias ou formas são arquétipos imutáveis. De acordo com Platão só essas idéias/formas são constantes e reais. Platão divide o mundo em duas partes – o mundo das idéias, onde tudo é constante e real, e o mundo físico em que vivemos, onde o fluxo é constante e a realidade é relativa. As formas então mantém a ordem e a estrutura das idéias do mundo.
Platão distinguiu entre dois níveis de saber: opinião e conhecimento. Afirmações relacionadas com o mundo físico, Platão as considerava uma opinião, mesmo que estivessem baseadas na lógica ou na ciência. Segundo Platão, o conhecimento é derivado da razão e não da experiência.  Ele pregava que somente através da razão atingimos o conhecimento das formas.
Platão diz que as formas têm uma realidade que vai além do mundo físico por causa de sua perfeição e estabilidade. O mundo físico se parece com as formas, mas devido a constantes mudanças nunca chega a sua perfeição.
Um exemplo para entender a diferença entre o mundo das formas e o mundo físico é dado por Platão em termos matemáticos. Devido ao mundo das formas temos a concepção de um círculo perfeito – totalmente redondo, composto de uma série de pontos que apresentam exatamente a mesma distancia do ponto central. No mundo físico, porem, essa figura não é vista. Círculos nunca são desenhados perfeitamente. A idéia do círculo existe e é imutável, porem ela só pode ser conhecida pela razão e não pela experiência do círculo perfeito no mundo físico.
Platão aplica sua teoria a conceitos como beleza, justiça, bondade, entre outros. A pessoa é bela ou justa por que nela há algo que se parece com a forma do belo ou do justo, presente no mundo das idéias. O amor no mundo das idéias também é perfeito, daí vem a expressão amor platônico, utilizada nos dias de hoje.
Teoria Política
A República é a maior e mais reconhecida obra política de Platão.  A obra se foca na questão de justiça: Como é um Estado justo? Quem é um individuo justo?
Segundo Platão, a melhor forma de governo é a aristocracia por mérito. Platão divide o estado ideal em três classes: a classe dos comerciantes, a classe dos militares e a classe dos filósofos-reis. Os filósofos-reis são encarregados de governar o país. As classes não são hereditárias, elas são determinadas pelo tipo de educação obtida pela pessoa.  Com maior nível de educação a pessoa se pertence à classe dos filósofos-reis.
A República aborda diversos temas sobre justiça, governo e apresenta um governo utópico. Essa obra vem sendo amplamente lida através dos séculos, por mais que suas propostas nunca foram adotas como uma forma de governo concreta.

Conclusão
Platão escreveu sobre diversos assuntos, tais como ética, arte, teoria do conhecimento, entre tantas. Suas obras influenciaram e moldaram a filosofia ocidental. O intuito desse artigo foi apenas o de introduzir esse grande pensador. De nenhuma forma é possível resumir sua imensa contribuição à nossa cultura.

O MITO DA CAVERNA
O Mito da Caverna narrado por Platão no livro VII do Republica é, talvez, uma das mais poderosas metáforas imaginadas pela filosofia, em qualquer tempo, para descrever a situação geral em que se encontra a humanidade. Para o filósofo, todos nós estamos condenados a ver sombras a nossa frente e tomá-las como verdadeiras. Essa poderosa crítica à condição dos homens, escrita há quase 2500 anos atrás, inspirou e ainda inspira inúmeras reflexões pelos tempos a fora. A mais recente delas é o livro de José Saramago A Caverna.
A Condição Humana
Platão viu a maioria da humanidade condenada a uma infeliz condição. Imaginou (no Livro VII de A República, um diálogo escrito entre 380-370 a.C.) todos presos desde a infância no fundo de uma caverna, imobilizados, obrigados pelas correntes que os atavam a olharem sempre a parede em frente. O que veriam então? Supondo a seguir que existissem algumas pessoas, uns prisioneiros, carregando para lá para cá, sobre suas cabeças, estatuetas de homens, de animais, vasos, bacias e outros vasilhames, por detrás do muro onde os demais estavam encadeados, havendo ainda uma escassa iluminação vindo do fundo do subterrâneo, disse que os habitantes daquele triste lugar só poderiam enxergar o bruxuleio das sombras daqueles objetos, surgindo e se desafazendo diante deles. Era assim que viviam os homens, concluiu ele. Acreditavam que as imagens fantasmagóricas que apareciam aos seus olhos (que Platão chama de ídolos) eram verdadeiras, tomando o espectro pela realidade. A sua existência era pois inteiramente dominada pela ignorância (agnóia).
Libertando-se dos grilhões
Se por um acaso, segue Platão na sua narrativa, alguém resolvesse libertar um daqueles pobres diabos da sua pesarosa ignorância e o levasse ainda que arrastado para longe daquela caverna, o que poderia então suceder-lhe? Num primeiro momento, chegando do lado de fora, ele nada enxergaria, ofuscado pela extrema luminosidade do exuberante Hélio, o Sol, que tudo pode, que tudo provê e vê. Mas, depois, aclimatado, ele iria desvendando aos poucos, como se fosse alguém que lentamente recuperasse a visão, as manchas, as imagens, e, finalmente, uma infinidade outra de objetos maravilhosos que o cercavam. Assim, ainda estupefato, ele se depararia com a existência de um outro mundo, totalmente oposto ao do subterrâneo em que fora criado. O universo da ciência (gnose) e o do conhecimento (espiteme), por inteiro, se escancarava perante ele, podendo então vislumbrar e embevecer-se com o mundo das formas perfeitas.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Matrix e o Mito da Caverna

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